Periódico - 2025
A obra se baseia no jornal impresso como ferramenta moderna para construir realidade e gerir o tempo. O periódico, ao prometer atualizações diárias, instaura
uma lógica de novidades constantes que, contudo, mascara uma estrutura de repetição. A notícia surge como um acontecimento, mas frequentemente opera como a repetição de narrativas já conhecidas, sobretudo aquelas que impactaram historicamente os
corpos racializados.

Nesse sentido, o jornal não é apenas um veículo de informação, mas também um sistema de visibilidade. Ele contribui para a formação do que pode ser percebido como um “evento”, ao mesmo tempo em que define o que permanece como estrutura não declarada. O que se repete não é o fato em si, mas os modos de enquadramento, as formas de interpretação
e as prioridades de atenção.

Em Periódico, a configuração do impresso é reorganizada através de um sistema de acúmulo: recortes de jornais são reunidos sob uma lógica temporal que vincula um grupo a cada ano da minha existência. Essa ação desloca o jornal de sua função informativa para um estado de arquivo expandido, no qual o tempo se apresenta estratificado e recorrente.
O trabalho questiona a distinção entre arquivo e acontecimento, apresentando o jornal como um arquivo vivo, não como conservação, mas como uma atualização incessante de padrões narrativos.

A repetição assume um papel crucial, realçando a persistência de estruturas de violência na constituição da subjetividade e da memória coletiva. Entre arquivo e corpo, Periódico aponta o jornal como um sistema de memória que não acumula o passado, mas rescreve continuamente o presente.
Roda - 2024
Na instalação, a transparência, o frágil, o natural vão sendo, pouco a pouco, contaminados pela decomposição da lã de aço, o Bombril — um símbolo que carrega tanto luta quanto desgaste.
Sem titulo - 2025
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